Por que o ano 2000 é bissexto?



Os astrônomos do século XVII já sabiam: um ano tem 365,2422 dias. Não é 365, coisa que todo mundo já sabe, não é 365,25, como nos ensinaram na escola primária. Para o papa Gregório II, 0,2422 é quase 0,25. Então, ao introduzir o calendário gregoriano, estabeleceu que a cada 4 anos o ano se acrescenta de um dia, passando a ter 366 dias (por isso bissexto: 2 algarismos "6" seguidos). Mas ele já sabia que havia uma diferença de 0.0078. Então, após 100 anos na contagem daquele novo calendário ia ficar sobrando "quase" 1 dia. Então o próprio papa, em seu decreto, estabeleceu que os anos múltiplos de 100 não seriam bissextos, apesar de serem, também, múltiplos de 4. Assim ficava um resíduo de 0.0022, o que ao final de 400 anos, nos levaria a quase situação do ano bissexto. Portanto, estabeleceu-se que os anos múltiplos de 400 sejam bissextos, apesar de também serem divisíveis por 100. Resta, assim, a diferença de 0.0003, o que faz com que, teoricamente, o ano 30.000 não seja bissexto, apesar de divisível por 400. Essa última condição não está no decreto do papa Gregório II, pois, afinal, quem, no século XVII acreditava que passaríamos do ano 2000? Assim, deixemos essa questão para o Sr. Spock da nave "Enterprise". O fato é que muitos programadores da década de 80 não estavam informados de que os anos múltiplos de 100 não são bissextos, o que, de certa forma a completa ignorância evitou o problema. Outros programadores mais dados ao diletantismo ouviram dizer que os anos centenários não são bissextos, sem atinarem para o fato que os quadri-centenários o são. Assim, geraram um problema por meia ignorância. Moral da história, se quiser acertar, ou aprenda tudo sobre o problema ou não queira se inteirar de nada. Saber as coisas pela metade só piora a situação...

João Luiz Kohl Moreira

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