Essa é uma seção onde tento responder a algumas daquelas perguntas que o astrônomo sempre se fez e que "teve vergonha de perguntar". Nao há mal nenhum em fazer tais perguntas, e me comprometo a listar algumas, mesmo que eu não saiba, pelo menos no momento, a resposta.
Comprei um telescópio... Uma das maiores angústias do astrônomo amador iniciante é saber se o telescópio que pretende comprar (ou já comprou) vale a pena, se possui as qualidades necessárias para se fazer uma boa astronomia amadora. Embora eu venha dizendo que telescópios de grandes marcas possuem características padrão, lá vem os colegas amadores com marcas, tipos, valores, acessórios, etc. Para tentar acalmar os exigentes consumidores criei a página acima para que se possa verificar por si próprio. O botão "Diagnóstico" diz, mais ou menos, o que eu diria diante das características apresentadas. Detalhe, se você tem um telescópio "simples", isto é, sem CCD, não se preocupe em preencher esse campo nem com mensagens do Diagnóstico relativas a CCD. Quem quiser saber como se calcula, e não sabe ler um programa "JavaScript", terei de dizer para esperar por um futuro livro sobre astrofísica observacional que venho, bravamente, escrevendo, quando tenho tempo.
Qual a direção que o Cristo Redentor olha? Quem é velejador ou pai de um, no Rio de Janeiro, sabe que o braço esquerdo do Cristo Redentor (quase) aponta para o norte. Com essa referência, navegar nas águas da Baía da Guanabara torna-se muito mais fácil, sobretudo para as crianças (menos de 15 anos) da classe Optimist que não têm bússola no barco. Mas o que me chama a atenção é esse "quase". Por que não exatamente? Essa questão me leva a outra que é, justamente, se queremos "olhar" para um desses lugares santos como Roma ou Meca, como calcular a direção?
Como transformar o Tempo Universal Local (TL) em Tempo Sideral Local (TS) e vice-versa? Essa é uma questão que todo astrônomo observacional garante (um tanto fleumático) que sabe e que está na ponta da língua. No entanto, quando ele pára e tenta enunciar, percebe que não está, na língua, é certo, tão na ponta. Foi o que me aconteceu e, envergonhado, tive que deduzir novamente o que devia estar na cabeça, tinindo. A dedução vem abaixo para que, de qualquer parte do globo, não tenha que repensar no assunto.
Estando em Brasilia/DF, qual a formula que devo usar para encontrar o azimute e a elevação de um determinado satelite, considerando que tenho a posição do mesmo? ex.:58.0ºW Essa pergunta foi colocada por um usuário do serviço Pergunte a um Astrônomo. Havia um certo tempo, gostaria de desenvolver um serviço em que o usuário entrava com suas coordenadas e as do satélite e como resultado teria justamente aquilo que o amigo pede. A oportunidade se abriu com a pergunta. Feito! A propósito, quem quiser ir para o cálculo direto é só entrar aqui.
Qual é a distância entre dois pontos na superfície da terra? Quando me colocaram esta pergunta, imediatamente veio-me à lembrança uma anedota que ouvi quando criança, provavelmente de uma de minhas professoras do primário. Perguntado qual era a distância entre dois pontos na terra o caboclo teria respondido com um ``depende''. 'Você está em Minas Gerais ou no Rio Grande do Sul?' Certamente a pessoa que me colocou a pergunta não estava preocupada com o fato de você ter pela frente a planície dos Pampas ou os sobes-e-desce das serras de Minas. Com certeza essa pessoa quis saber o equivalente em kilômetros de um caminho determinado por um grande círculo (que pertence ao plano que passa no centro da terra) entre dois pontos de uma terra esférica. Acontece que a terra não é esférica. Não é sequer uniforme no seu formato. Podemos nos perguntar qual seria essa distância caminhando pelo geóide, a figura média da superfície terrestre. A terra possui, aproximadamente, a forma de um elipsóide de revolução, levemente achatada nos polos gerando uma figura que chamamos ``oblato'' (se fosse achatada no equador, seria um ``prolato''). Nem os oceanos, marcados pela interação com os ventos, obedece essa superfície. Melhor ficarmos no mais simples e respondermos à pergunta como se a terra fosse... primeiro uma esfera, depois, veremos. Assim ficamos livre do dilema do caboclo. Afinal, para o mineiro tudo fica ``logo ali''.
Por que o sol e a lua ficam maiores e avermelhados no horizonte? Essa é uma pergunta recorrente na seção "Pergunte ao Astrônomo". Faço, inclusive, um comentário a respeito na seção Astro Bobagens. Aliás, a resposta que coloquei ali não me satisfaz. Mesmo assim, aquela reposta não é nada, comparado com as que vemos na literatura (e outros centros de astronomia). Idéias como a de auto-sugestão, efeito psicológico, e outras tolices têm aparecido a respeito desse assunto. Ciente da necessidade de responder a essa questão de uma vez por todas, escrevi alguma coisa a respeito, sem, no entanto, tentar encerrar a discussão. Ela é mais complexa do que se pensa.
Como transformar coordenadas esféricas em planas? Essa pergunta me foi feita por C.M. e eu respondi somente com as expressões prontas, tomando de um livro. Depois achei que isso não era justo e dessa forma parti para deduzí-las. PS PDF
Qual é o azimute do sol ao nascer no inverno? Essa pergunta me fez um engenheiro que precisava projetar um estábulo para um fazendeiro, se não me engano no Paraná. O fazendeiro, cioso de seu gado, queria que as vacas saissem para pastar, de manhã, aquecidas pelo sol. Respondi-lhe que um bom azimute seria cerca de 60 graus a leste. Mais tarde quis me assegurar. Como você poderá ver, não errei de muito...
Qual é a luminosidade ambiente no crepúsculo? Toca o telefone, atendo. - "Por favor, gostaria de falar com um astrônomo". - "Está falando com um. Do que se trata"? - "Por favor, queira me informar em que instante se deu o solstício (sic) no dia 19 de novembro passado". - "Senhor, eu conheço dois solstícios no ano. Nenhum deles cai no dia 19 de novembro. Queira, por favor, ser mais específico em sua pergunta"... Do ríspido diálogo que se seguiu, descobri que estava falando com um Oficial de Justiça da 1a. Vara Cível do Rio de Janeiro. A pergunta exata era: A que horas se deu o ocaso do sol no dia 19 de novembro? Acontece que o Meritíssimo Juiz daquela Vara, em algum momento de sua vida, quis acreditar que solstício além de uma bonita palavra, queria dizer ocaso do sol. O motivo da consulta: um motorista tinha invadido as obras do Metrô no centro da cidade por volta das 18:30H provocando grande estrago não só em seu automóvel quanto em equipamentos da companhia. O embate se dava porque o motorista alegou não ter visto a sinalização, enquanto a companhia alegava não estar utilizando sinalização noturna porque o sol ainda não tinha atingido o "solstício". Passei o problema para o pessoal que calculava as Efemérides, mas depois fiquei pensando que o problema era uma questão de luminosidade diurna e noturna. Algo a respeito está explicado na página de explicações dos Crepúsculos.
O que é "bug" do ano bissexto? Essa pergunta poderia ser colocada da seguinte maneira: "Por que o ano 2000 é bissexto"? Seria, aparentemente, uma pergunta tola mesmo. Afinal, 2000 não é múltiplo de 4? Então, por que razão pensar-se que seria diferente? Já que o tema se colocou, preparei um pequeno texto a respeito.
Em qual Época do Ano um certo Objeto é Visível? Para observar um objeto é preciso saber se a latitude do observatório é apropriada, como também em qual época esse objeto estará no céu noturno. Essa última condição é definida pelo movimento do sol. O astrônomo observacional geralmente calcula a diferença entre a latitude do local e a declinação do objeto. Em seguida ele calcula a época da passagem meridiana à meia-noite local. Com isso ele tem uma idéia de qual época é a melhor e a margem que ele pode jogar. Impondo a condição de que o objeto deva estar acima de uma certa altura enquanto o sol estiver a um certo ângulo abaixo do horizonte, podemos estabelecer critérios objetivos para a escolha da melhor época para observar o astro de interesse.